Apareça.
Apareça na minha janela para cantar aquelas piadas
que só tinham graça para o meu olhar.
Apareça.
Apareça, entre, repousa nesses braços
que um dia jurou nunca deixar.
Mas apareça!
A vida parou a sua órbita,
os passarinhos já não cantam
e o meu encanto se foi
desde quando o seu canto me trouxe
a melodia da solução.
A sua arte me fotografa,
despe a minha alma,
me traz para onde sou afagada,
mas sempre lembrada
de que tudo isso é pura ilusão.
Em meus pequenos versos
tento uma nova canção,
querendo enganar o meu frágil coração
que tu tens na mão
e pouca questão faz
de nos dar uma solução.
Apareça-me.
Faça a terra voltar ao eixo,
os passarinhos voltarem a cantar
e eu, enfim, encantar.
Mas apareça-me:
torne-se você mesmo a solução.
Venha para morar, e não apenas repousar.
Faça dos versos a sua razão para continuar,
e nos amar
quando até os flashes do seu olhar
quererem negar.
Negar que sou a sua musa
e que, em meus braços, é o teu lugar.
Negar que há tantas razões para nos amar
e que é tão pouca esta vida
para demonstrar.
Pare de negar
até o teu coração já cansou de te mostrar
que não adianta esquecer ou esconder:
sou eu quem os teus olhos procuram
quando nada mais faz sentido pra continuar.
E nestes versos, esforço-me para dizer
que, nessa agonia de não te ter,
vou-me vivendo,
mas sempre lutando
até te ter.
Jonatielen Silva e Silva
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